Encantos do Florescer

Nunca foi Lúcifer

🕯️ Você já parou pra pensar?

Lúcifer nunca queimou bruxas. Nunca construiu forcas. Nunca pediu adoração.

Contextualizando

Li o texto “Nunca foi Lúcifer”, de Frater Bruno, em um grupo Mago no Facebook e reconheço a força da crítica que ele traz. De fato, muitas atrocidades foram cometidas por pessoas que diziam agir em nome de Deus. Mas é preciso olhar além da superfície, além do discurso religioso tradicional.

Se formos honestos com uma visão espiritual mais profunda, a pergunta inevitável é:
Se Deus é onipotente, onisciente e onipresente, como dizem, então por que permitiu tudo isso?

Se Ele tudo vê, tudo sabe e tudo pode…
Por que o silêncio diante da dor?
Por que o fogo das fogueiras, a culpa, a violência, o abuso?

A resposta talvez esteja naquilo que poucos ousam aceitar:

Deus velho barbudo
Deus velho barbudo

Deus não é um velho barbudo num trono, decidindo quem deve viver ou morrer.
Esse Deus foi inventado pelos homens, para controlar, para dominar, para manter o medo.

Na minha visão, Deus é a própria vida. É a consciência por trás de tudo o que existe. É a centelha que anima cada ser. E se Ele está em tudo, então também está nas sombras. Não como maldade intencional, mas como parte da experiência do todo.

Foi a humanidade, nós mesmos, como manifestações da Fonte, quem cometeu crimes, queimou bruxas, calou vozes, impôs culpa e construiu infernos mentais. Não foi Deus quem fez isso. Mas também não foi Lúcifer.

A figura de Lúcifer, nesse contexto, representa mais o princípio da liberdade, da dúvida, da busca pelo próprio caminho. E isso sempre foi ameaçador para quem quer rebanhos obedientes. Um ser que pensa por si não precisa de templos nem de dogmas e isso é perigoso para os que lucram com a fé cega.

Se Deus é tudo, inclusive nós, então sim, foi Deus.
Foi Deus em nós, ainda adormecido.
Foi o divino esquecido de si, perdido no ego, no medo, na ignorância.

Mas é nesse esquecimento que nasce o impulso do despertar.
É caindo na escuridão que a luz interior começa a brilhar.
Não existe erro no processo, apenas caminho.

No final, não é Deus contra Lúcifer.
É a consciência se lembrando de quem é.
Trata-se do Ser contra a ignorância de si mesmo.
E a única salvação real está no despertar não do medo do inferno, mas da ilusão da separação